Pele de Asno (Peau d'âne), de Jacques Demy

Jacques Demy sempre é lembrado pelo fora-de-série (e necessitando de uma revisão) "Os Guarda-Chuvas do Amor" (1964), mas alguns anos mais tarde realizou outra pérola, novamente um musical, e dessa vez no mundo dos contos de fadas.
Baseado num conto de Charles Perrault (escritor também de "O Chapéuzinho Vermelho" e "Cinderella"), a história se passa num reino muito (muito) distante, onde a rainha à beira da morte faz com que o rei prometa que se casar somente com uma mulher mais bela que ela. Ao procurar a mais nova pretendente, descobre que a única com tais atributos é a sua própria filha. Não conseguindo convencê-lo de que o casamento não ocorra, a princesa, com ajuda de uma fada, foge escondida em uma pele de asno e se esconde numa cabana em um vilarejo próximo. Rejeitada por todos devido sua má aparência e ao mau cheiro, é descoberta por um príncipe que se apaixona por ela.
Com locações lindas e figurinos coloridos, psicodélicos e kitsch, "Pele de Asno" é um colírio, ainda mais se tratando de um filme de 1970, onde nem se pensavam em criarem cenários e ambientes a moda de Senhor dos Anéis, Shrek e outros. Como se tamanha beleza não fosse suficiente, ainda tem Catherine Deneuve, diva como sempre.
Mesmo que o vejamos com uma temática destinada ao público infantil, há muitos elementos e situações do filme que nos contrariam, já que o estranhamento de percebermos, telefones e helicópteros, que se passam batido para as crianças, nos deixaram com um discreto sorriso e o ponto de interrogação na testa. Isso sem mencionar a questão incestuosa que o filme possui na sua primeira metade.
Vale a pena ignorar a irregularidade e desconsiderar o fato que o filme não envelheceu tão bem. "Pele de Asno" é esquisito e encantador.   
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Escrito por Marlonn às 21h32
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