Em Busca da Vida (Still Life), de Jia Zhang-Ke

O Merten escreveu há alguns meses no seu blog que, se tivesse lembrado, poderia ter respondido ao Rubens Ewald Filho que Jia Zhang-Ke é o maior diretor hoje da atualidade. A afirmação com maior jeito de empolgação de cinéfilo, mesmo que eu discorde, é totalmente justificável. JZK está atento no processo de transformação e crescimento (um tanto desenfreado e desordenado é verdade) que a China passa e procura entender as conseqüências de tudo que isso envolve, inclusive e principalmente nos entre os próprios chineses.
Em Still Life    , Zhang-Ke acompanha toda essa mudança no microcosmo da barragem das Três Gargantas, que alagou o Rio Yangtsé e forçou milhares de pessoas que moravam na região a abandonarem suas casas. Nesse cenário envolto em ruínas, o que impera é a busca, tanto do que ficou para trás como do papel de cada um no que virá. Repleto de signos que mostram a ‘capitalização à toque de caixa’ (a abdicação do lugar velho pelo novo, as demolições) de um país que ainda é controlado a mão de ferro, Still Life é captado num ritmo lento, com uma fotografia linda e imagens fortes. Os planos longos (ou longuíssimos) e algumas sequências, segundo o Inácio Araújo, "Fellinianas", são um poucos incômodas, mas recompensadoras para quem chega até o final. E uma pena que fizeram a tradução para "Em Busca da Vida", já que "Natureza Morta" é totalmente apropriada.
Escrito por Marlonn às 01h43
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