Desejo e Reparação

 

 

Por culpa da minha rica ignorância, pouco antes do filme ser lançado fui enganado pela tradução do título. Apesar de depois ficar sabendo sobre a trama criei um pré-conceito de que Joe Wright teria feito mais do mesmo (e eu gosto do seu filme anterior). Logo no começo essa impressão é quebrada pela (des)construção da narrativa, que se não é uma idéia nada original, foi muito bem utilizada, tanto no início, retratando a diferença entre a verdade e o imaginado pela criança (Saoirse Ronan, assustadora), como na reta final e de maneira muito coerente. Wright demonstra a mesma habilidade com a câmera e faz cenas plasticamente lindas (todas da Keira com aquele vestido verde, por exemplo, já valem o ingresso). Os elegantes planos-sequência de Orgulho e Preconceito são elevados ao cubo com uma fascinante tomada de 6 ou 7 minutos, nada gratuita e linda de se ver. A trilha sonora, muito engenhosa, também merece um elogio. O tristíssimo final-feliz mostra que mais do a culpa, Atonement trata do olhar e do quanto somos manipulados por ele.  



Escrito por Marlonn às 19h03
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Juno

Incrível como mesmo de férias acabei não arranjando tempo pra atualizar. Paciência, vamos lá, pra tentar ir tirando o atraso.

 

Se os cinco indicados ao Oscar de melhor filme tratam de temas pesados, Juno se destaca por ter a característica comum a vários outros indies de boutique que todo ano aparecem por aí: carisma. Reitman, do cínico “Obrigado Por Fumar” (), novamente trabalha com um assunto polêmico optando pelo agri-doce. Assinado pela ex-stripper-oscarizada-e-agora-garota-sensação Diablo Cody, o roteiro tem muita qualidade no desenvolvimento dos personagens femininos (apesar do Michael Cera roubar suas cenas com sua persona) nas tiradas expertas, principalmente as lançadas pela língua afiada da Ellen Page. A própria personagem-título serve como micro-cosmo do que o filme é: doce, mas que deixa um delicioso gosto amargo na boca.

 



Escrito por Marlonn às 00h34
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pós-Oscar

Os dois grandes momentos da aborrecida e previsível (como habitual, diga-se de passagem) cerimônia do Oscar envolveram os mesmos personagens. O primeiro foi a maravilhosa apresentação da dupla Glen Hansard e Marketa Irglova, tocando “Falling Slowly”, do filme Once, que disputava o prêmio de melhor canção original. Como ficou evidente diante das outras apresentações, a canção está distante anos-luz dos concorrentes e merecidamente levou a estatueta. E então veio o segundo momento: ao fazer o agradecimento, Hansard acabou usando todo o mini-tempo concedido e Marketa foi cortada pela orquestra. Num raro momento de humildade e brilho, a produção percebeu a indelicadeza e após os comerciais a chamou novamente para que fizesse o seu discurso. Um gesto à altura do filme.

 

(Assistam antes que tirem do ar)

 

 

Once, filme irlandês (inédito no Brasil, e espero que não por muito tempo) realizado de maneira toda independente e em 17 dias, conta a história do Rapaz (Hansard, os nomes dos personagens não são revelados), músico de rua e com um relacionamento recém terminado, que encontra uma Garota (Irglova, uma graça), imigrante tcheca, que trabalha como empregada e cuida da mãe e da filha. A princípio parece existir uma química, algum sentimento, mas demais. Então ele descobre que ela arranha no piano e o filme cresce.

 

Drama, romance, musical? À medida que percebemos o que (não) há entre os dois, jogamos a busca de gênero para escanteio e nos focamos no que vai acontecer com os personagens no momento, sem expectativas. Com a câmera na mão nos sentimos mais perto dos dois, solitários cada qual a sua maneira, e nos tornamos mais cúmplices das transformações que as músicas farão em cada um deles.

 

As músicas são um caso a parte, todas belíssimas, servindo como um espelho da dupla, que ao cantarem, desabafam, e se preparam para tocar a vida em frente.

 

Delicado, doce e intenso, Once nos mostra que ao invés de um amor que nos cegue, às vezes precisamos de alguém que simplesmente nos faça enxergar. 

 



Escrito por Marlonn às 01h22
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É daqui a pouco.

E na boa, a minha torcida mesmo é só para melhor filme...



...e melhor canção.



De resto, tanto faz...

Escrito por Marlonn às 21h11
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100 + de 2008

Lista interessante para o que seria, segundo o site, os 100 filmes que devem ser vistos esse ano. Ainda não analisei todos, mas do pouco que vi deu pra perceber que a lista é eclética (Gus Van Sant, irmãos Dardenne...) e que tem muita coisa boa pra chegar. E também me surpreendi positivamente com o 4º lugar.


Pra ver a lista, clique aqui.


O 5º lugar é o meu favorito para 2008:




Escrito por Marlonn às 18h39
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Se inveja matasse....

Uma tarefa impossível é acompanhar a filmografia do Woody Allen, sai praticamente um filme por ano. Mal começou 2008 e veja só, Mr. Allen já terminou "Vicky Cristina Barcelona", seu 41º longa, o quarto nessa fase européia. E pra vocês verem que o velhinho não é bobo não, o Aílton me passou a agradável notícia que nesse filme acontecerá um "ménage à trois" entre o Javier Bardem e as duas beldades abaixo:

E ainda por cima o Barden vai ganhar um Oscar esse ano. Cara sortudo esse, não?



Escrito por Marlonn às 22h42
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Filmes de janeiro (parte I)

O Hospedeiro (Gwoemul)  - Filme de monstro? Drama? Comédia? Família desajustada? Metáfora política?...enfim, o filme é tão bom quanto inclassificável. Ponto para o sul-coreano Joon-ho Bong, que fez com que seu Godzilla atirasse para todos os lados, e com uma competência única, acertasse em todos eles.

A Fonte da Vida (The Fountain)  - Realmente um filme ruim, mas não tanto como esperava. As três tramas não parecem se entender e a maneira com que as idéias pseudo-filosóficas/religiosas se apresentam são fracas e confusas. Por outro lado, gosto do visual kitsch (principalmente na trama do astronauta) e Hugh Jackman segura bem as pontas, já que é requisito praticamente o filme inteiro. Parece mesmo que os problemas na produção (o protagonista seria o Brad Pitt, com orçamento de US$90 milhões e com Jackman caiu para US$35) transformaram The Fountain num passo maior que a perna.

Transformers  - Por não ter sido fã dos desenhos quando criança acabei não indo no cinema e o arrependimento bateu. O filme é muito bom, divertido e com efeitos especiais espetaculares. E se soubesse ainda que teria essa protagonista, teria visto antes.

Meu Nome Não é Johnny  - É um filme que diverte principalmente pela figura de Selton Mello, ótimo novamente num papel que mais parece outra variação dele mesmo. De resto vemos um discurso pobre, uma irritante busca por referências dos anos 80 e ambientes que não convencem. Será que a cadeia e o sanatório apresentados realmente mostraram ao espectador que o crime não compensou? Fiquei na dúvida se a mensagem que o verdadeiro João Estrela queria deixar foi dada.

Não Conte a Ninguém (Ne le dis à personne)  - Thriller francês que, na busca "daquela" reviravolta, acaba se transformando naquele filme horrível da Halle Berry.

Eu Sou a Lenda (I Am Legend)  - Tinha potencial para ser O filme de ação do ano. A primeira metade é ótima, com imagens impressionantes de Nova York e Will Smith, que repetindo "Em Busca da Felicidade", segura o filme sozinho com muita qualidade. Mas infelizmente vieram os vampiros de computadore, Alice Braga e um final pobre e (pior!) com final feliz. Ao sair da sala me deu vontade de rever Extermínio.



Escrito por Marlonn às 23h19
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Carnaval perfeito, sabe onde?



Aqui!



Escrito por Marlonn às 01h56
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Melhores de 2007 - Top 10

10) Cartas de Iwo Jima 

 

 

Intenso e melancólico, como o cinema japonês. E como o cinema de Clint.

 

9) Exilados

 

 

Johnnie To brincando de ser Leone.

 

8) Planeta Terror

 

 

Pode não ser melhor, mas é muito mais divertido que o filme do Tarantino.

 

7) Rocky Balboa

 

 

Stallone descobre o seu cinema autoral. Aqui, Rocky é ele, não o contrário.

 

6) Maria Antonieta

 

 

Cinema que vai muito além de um simples all-star.

 

5) Perfume

 

 

Duvidei que fizessem um filme a altura do livro. Por pouco não me enganei.

 

4) A Conquista da Honra

 

 

Nem sempre os heróis estão na guerra.

 

3) Tropa de Elite

 

 

O filme nacional mais visto é também o mais mal-compreendido.

 

2) Maria

 

 

O amor incondicional, em todos os sentidos.

 

1) Império dos Sonhos

 

 

Visto aos 45 do segundo tempo, na última semana do ano, Lynch toma o lugar de Ferrara e repete o feito de Cidade dos Sonhos, novamente criando uma narrativa única (dessa vez mais compreensível) onde os sonhos se misturam (ou parecem se misturar) com a realidade. Aprendi com Estrada Perdida que para se gostar de um filme nem sempre é necessário entendê-lo. Até porque, no final o que fica são as imagens, a música, as interpretações. Lynch, em parceria com Laura Dern, transforma todos esses componentes em momentos inesquecíveis, e pura arte.



Escrito por Marlonn às 02h42
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Melhores 2007 - 20º ao 11º

Todo ano é a mesma coisa, sempre ficam vários de fora, ou por descaso, ou por não estreiarem aqui ou por pura falta de tempo, mas nesse ano achei que os furos não foram tão grandes. Conferindo a lista de todas as estréias de 2007, não achei que perdi tantas do meu interesse, até por isso não fiz a lista como a do ano passado. E também não acredito que a lista mudaria tanto assim, talvez uns 4 ou 5 entrariam, talvez não, vai saber. Mesmo assim, a quantidade de bons filmes foi enorme e não seria injusto se colocasse mais uns 10 ou 15 filmes, mas preferi ficar nos 20.








20) Borat


Corajoso, escatológico e assustadoramente engraçado. É como se o Pânico na TV tivesse ido pra Hollywood. E eu gostei.



19) Zodíaco


Um Fincher surpreendente que fala mais da obsessão de um homem do que dos assassinatos em si.



18) À Procura da Felicidade


Mesmo sabendo qual será o final com 2 segundos de projeção, impossível não se deixar emocionar pelo ótimo trabalho de Will Smith. Boa estréia de Muccino em Hollywood.



17) O Passado


Outro filme surpreendente que trabalha muito bem com a obsessão e dependência. Uma Buenos Aires bucólica e um final atípico, ponto para Babenco.



16) A Desconhecida


Tornatore brincando de ser Hitchcock.



15) Santiago


Emocionante meta-documentário e uma singela maneira de admitir um erro.



14) Deja Vu


Melhor filme de ficção científica do ano, pena que a carreira de Tony Scott seja uma gigantesca montanha-russa.



13) Conduta de Risco


Ótimo trabalho de Clooney num filme complexo e muito bem conduzido. Só peca pelo final careta.



12) Em Busca da Vida


A busca da compreensão de um país em desenfreada expansão.



11) Ultimato Bourne


O filme de ação do ano. Bourne mostrou a 007 que o século XXI chegou.



Escrito por Marlonn às 02h27
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Séries em 2007 - O ano em que fiz contato

Não tem como falar dos meus melhores sem mencionar as séries. Em 2006 já tinha visto muita coisa, mas nada que se compare a 2007. A cada dia aparece uma série nova e o tempo disponível para acompanhá-las parece sempre diminuir. Várias vezes me vi numa cilada pra decidir o que priorizar e assistir, tamanha a quantidade de opções. São várias as que eu citaria, mas ficarei com as 10 que mais me chamaram a atenção em 2007.

Dexter - 1ª temporada
Não é só a melhor série que do ano como foi umas das melhores coisas que já vi na vida. Com um texto espetacular e protagonizado pelo inspirado Michaell C. Hall, que mistura o seu carisma com o tom enigmático, a série surpreende em retratar o dia-a-dia e a filosofia de vida de um serial-killer, que ajudado pelo seu pai no passado, cria um código de ética próprio e tenta usar a sua característica/disturbio/doença da melhor maneira possível. Bom elenco de apoio, direção competente e uma trama redonda, com a profundidade exata para o que se propõe e com um desfecho redondo e surpreendente. Dá até medo de que a segunda temporada (que não vi ainda) não esteja a altura e estrague tudo.

E ainda, pra fechar, tem uma das melhores aberturas já realizadas:




House - 1ª/2ª/3ª temporada
A primeira e segunda temporadas já foram comentadas aqui e a expectativa para a terceira era grande. E ela surpreendeu muito, infelizmente pelos seus pontos negativos. Os primeiros episódios iniciaram a temporada muito bem, com o House de sempre, mas digamos, de fôlego renovado (quem ver a série entenderá). Pena que essa sacada se resolveu mais rápido que eu esperava e logo colocaram outra (quem ver saberá qual é) que se alongou muito mais do que deveria e deixou a temporada muito aborrecida. O negócio ficou tão chato que até seus discípulos quiseram abandonar o barco. Mesmo assim, a série tem muito crédito comigo, e ouvir as tiradas de Hugh Laurie acabam sempre valendo o ingresso (se tivesse um) e mantenho a esperança que a coisa irá melhorar na quarta temporada.


Lost - 3ª temporada
Olhando a temporada como um todo, a temporada ficou devendo muito. Com vários episódios fracos, principalmente os 6 primeiros que antecederam a pausa de mais de 2 meses, todos que acreditam que a série terá um final a altura e coerente ficaram muito preocupados. Ainda tivemos várias encheções de liguiça, como a aparição do Rodrigo Santoro, por exemplo, e que deixaram o andamento da série muito comprometido. Por outro lado, tivemos vários episódios de cair o queixo, várias revelações importantes e o melhor final de série do ano. Final do mês começa a quarta temporada, e com certeza estarei lá.

The Office - 1ª temporada
Série absurdamente engraçada. Em apenas seis episódios, The Office mostra com brilho que o mundo corporativo está muito longe que vemos na Você S.A. Gosto de todos os personagens, mas os papéis de Steve Carrel e Rainn Wilson são um resumo absurdo e facilmente identificáveis para qualquer um que trabalho em escritório. Temporada enxuta e que te deixa babando para querer ver as outras. Felizmente tem mais três temporadas (mais longas) pela frente.

30 Rock - 1ª temporada
Nunca fui grande fã de Saturday Night Live e também nunca tinha ouvido falar em Tina Fey. Felizmente, com no mundo de hoje, com torrents e tudo mais, sempre podemos corrigir nossos erros. 30 Rock me mostrou que posso achar graça de uma série mesmo não entendendo quase metade das piadas. Todo elenco é engraçado com destaque para a própria Fey, Jack McBrayer e Alec Baldwin, que criou um ótimo personagem (na verdade parece que ele NÃO está interpretando) e mantêm uma boa química com Fey. Vale uma conferida na segunda temporada.

Prison Break 2ª temporada
Depois de uma primeira temporada eletrizante, a segunda temporada acabou devendo em vários momentos. Não sei se isso aconteceu pela quantidade enorme de personagens que fugiram e precisavam ter suas histórias terminadas, e com isso acabou atrapalhando o ritmo da história, ou eles ficaram confusos em desenvolver a trama fora da prisão. A impressão que dá é que foi pelos dois motivos, já que no decorrer da série procuraram matar vários personagens e também criaram a 'Sona', prisão Panamenha que deixava Fox River no chinelo e parecendo um clube de campo. Isso fez com que a série terminasse muito bem e com fôlego para a terceira temporada. E se os irmãos carregam a série com muita intensidade, tenho que destacar Robert Knepper, que interpreta um dos vilões mais assustadores e cruéis da televisão.

Roma - 2ª temporada
Conseguiu manter o nível da primeira temporada. Tramas políticas, o conflito das mulheres romanas (as personagens de Servília e Átia, por exemplo, estão ótimas), alguns exemplos dos costumes da época e o foco nos plebeus (Pulo e Vorenus) e muita putaria. Infelizmente a série se tornou muito cara e não foi possível continuá-la.

The Lost Room
Ótima mini-série (3 episódios de 1h30) de ficção científica, indicação do Renato. Uma grande idéia e feito num ritmo alucinante, se você estiver disposto e disponível, vai querer assistir os três numa passada só. O que talvez desagrade alguns é que a trama não fica 100% fechada, mas é uma boa idéia, já que assim não precisam se preocupar em contentar o público em explicar tudo certinho e ficam longe de furos de roteiros. Sem dizer que também serve como brecha para uma possível segunda temporada.

Nip/Tuck - 1ª temporada
Mesmo que seja mais uma variação do já manjado-mais-ainda-não-esgotado gênero médico, Nip/Tuck vale mesmo para acompanhar a trajetória do divertido Christian Troy, que com seu charme e os figurinos discretamente roubados do Miami-Vice, passa a régua na mulherada de Miami e faz uma cagada atrás da outra. Não devo ver todas as temporadas (são cinco), mas ainda quero acompanhar mais uns episódios da figura. Além da mulherada linda que passa pelo crivo do cirurgião, tem de gorjeta a participação do clone do Michael Jackson

Big Love - 1ª temporada
A série mais cansativa que vi esse ano. A premissa me deixou muito empolgado, mas caiu por terra logo nos primeiros episódios. Mesmo sendo tentadora, a idéia de se ter uma família com três esposas só apresentou desvantagens e eu terminava o episódio exausto tamanho o caos na família Henrickson. Os dilemas morais, os ciúmes entre as esposas, os questionamentos dos filhos diante da situação de estar numa família diferente, a preocupação com a sociedade, todas questões muito interessantes e que até valeriam a pena de acompanhar, não fosse as insuportáveis intrigas, quase sempre envolvida com a Chloe Sevigny, que faz um ótimo trabalho, mas numa pessoa tremendamente irritante. Quando já estava desistindo da série, no final da temporada até tentaram esboçar uma redenção familiar (principalmente no episódio do batismo e da mãe do ano) para trazer a idéia de união. Foi muito legal e deu uma levantada na série, mas para mim já era tarde demais e mesmo sabendo do seu potencial, preferi jogar a toalha, não acompanharei mais.


Escrito por Marlonn às 19h14
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2007...

Sei que estou atrasado, mas antes que 2009 chegue quero fazer um pequeno balanço de 2007.

Por 2006 ter sido excelente, havia preparado vários planos para 2007, que tinha tudo para ser um ano muito bom, e até começou bem. Levei a academia mais a sério (participei de duas corridas de 10km), voltei ao curso de italiano, vi o Festival de Teatro de Curitiba do jeito que eu sempre quis fazer, estava em dias com meus filmes, enfim, tudo na tranquilidade.

Pois bem, infelizmente, os eventos de abril me passaram uma puta rasteira. Mesmo mantendo o bom humor, foram dias difíceis e usei a tática de não deixar a ficha cair por completo para que não o chão não sumisse e o tranco fosse ainda maior. Na base do empréstimo e torrando o cartão de crédito fizemos o possível para que a imagem dantesca de ver a sua casa limpa fosse extirpada da memória. Nada como um dia após o outro, e ainda que existam seqüelas (se usa trema ¨ ainda?) a ordem das coisas vai se restabelecendo e à medida que o ano terminava a nossa vida voltava ao normal e até com um fôlego novo para 2008.

No blog, seria injusto comigo dizer que o abandonei, já que fiquei sem micro um bom tempo e sem tempo por causa do trabalho para atualizá-lo, mas posso dizer que pensei muito nele nesse ano e tenho bons planos para esse novo ano. Se conseguir executá-los em breve e se funcionar, tenho certeza que será muito bom pra mim e pra quem lê, se é que alguém ainda lê isso aqui.

Na cinefilia, devido à falta de $$, não pude cumprir nenhuma das duas promessas (ir a Mostra de SP e a uma Sessão do Comodoro) e nem ver meus amigos da lista. Não prometo nada, mas espero que alguma coisa dê certo esse ano. Como fiquei sem computador, também perdi as contas dos filmes que vi. Tenho a impressão que bati meu recorde pessoal (não é nada demais, por volta dos 170 filmes), mas nunca vou saber na verdade. Só sei que nunca tinha visto tantos lançamentos como agora (60), mas claro que ainda há espaço para melhorar muito esse ano.

De resto, as mesmas promessas de sempre: ver mais filmes, ler mais livros, fazer mais esportes, etc...

Obrigado pelas visitas esse ano (aumentaram em mais de 100%) e espero que continuem comigo. Mesmo que esteja de passagem, comente aí, sua mensagem é muito importante para nós!

Feliz 2008!

Ainda essa semana, os melhores do ano....



Escrito por Marlonn às 01h20
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Pele de Asno (Peau d'âne), de Jacques Demy

 

Jacques Demy sempre é lembrado pelo fora-de-série (e necessitando de uma revisão) "Os Guarda-Chuvas do Amor" (1964), mas alguns anos mais tarde realizou outra pérola, novamente um musical, e dessa vez no mundo dos contos de fadas.

 

Baseado num conto de Charles Perrault (escritor também de "O Chapéuzinho Vermelho" e "Cinderella"), a história se passa num reino muito (muito) distante, onde a rainha à beira da morte faz com que o rei prometa que se casar somente com uma mulher mais bela que ela. Ao procurar a mais nova pretendente, descobre que a única com tais atributos é a sua própria filha. Não conseguindo convencê-lo de que o casamento não ocorra, a princesa, com ajuda de uma fada, foge escondida em uma pele de asno e se esconde numa cabana em um vilarejo próximo. Rejeitada por todos devido sua má aparência e ao mau cheiro, é descoberta por um príncipe que se apaixona por ela.

 

Com locações lindas e figurinos coloridos, psicodélicos e kitsch, "Pele de Asno" é um colírio, ainda mais se tratando de um filme de 1970, onde nem se pensavam em criarem cenários e ambientes a moda de Senhor dos Anéis, Shrek e outros. Como se tamanha beleza não fosse suficiente, ainda tem Catherine Deneuve, diva como sempre.

 

Mesmo que o vejamos com uma temática destinada ao público infantil, há muitos elementos e situações do filme que nos contrariam, já que o estranhamento de percebermos, telefones e helicópteros, que se passam batido para as crianças, nos deixaram com um discreto sorriso e o ponto de interrogação na testa. Isso sem mencionar a questão incestuosa que o filme possui na sua primeira metade.

 

Vale a pena ignorar a irregularidade e desconsiderar o fato que o filme não envelheceu tão bem. "Pele de Asno" é esquisito e encantador.

 

+ Site bacana com informações sobre o filme e figuras para colorir, clique aqui



Escrito por Marlonn às 21h32
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Em Busca da Vida (Still Life), de Jia Zhang-Ke



O Merten escreveu há alguns meses no seu blog que, se tivesse lembrado, poderia ter respondido ao Rubens Ewald Filho que Jia Zhang-Ke é o maior diretor hoje da atualidade. A afirmação com maior jeito de empolgação de cinéfilo, mesmo que eu discorde, é totalmente justificável. JZK está atento no processo de transformação e crescimento (um tanto desenfreado e desordenado é verdade) que a China passa e procura entender as conseqüências de tudo que isso envolve, inclusive e principalmente nos entre os próprios chineses.

Em Still Life , Zhang-Ke acompanha toda essa mudança no microcosmo da barragem das Três Gargantas, que alagou o Rio Yangtsé e forçou milhares de pessoas que moravam na região a abandonarem suas casas. Nesse cenário envolto em ruínas, o que impera é a busca, tanto do que ficou para trás como do papel de cada um no que virá. Repleto de signos que mostram a ‘capitalização à toque de caixa’ (a abdicação do lugar velho pelo novo, as demolições) de um país que ainda é controlado a mão de ferro, Still Life é captado num ritmo lento, com uma fotografia linda e imagens fortes. Os planos longos (ou longuíssimos) e algumas sequências, segundo o Inácio Araújo, "Fellinianas", são um poucos incômodas, mas recompensadoras para quem chega até o final. E uma pena que fizeram a tradução para "Em Busca da Vida", já que "Natureza Morta" é totalmente apropriada.


Escrito por Marlonn às 01h43
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Curtas

Além de me fazer ausentar um tempão por aqui, o trabalho me atrapalhou também para ir na Mostra de Cinema de SP, que inclusive estava na minha lista de prioridades para esse ano. Como já tenho outros planos para o ano que vem, talvez a Mostra fique pra 2009 só, paciência. Mesmo assim, procurei acompanhar ao máximo os lançamentos e o dia-a-dia do que rolou por lá, principalmente pelos blogues do Chico, Pablo, Michel e do Carrard. Todos executaram a idéia de “diário” da Mostra com muita qualidade. Também não tem como fugir e sempre dar uma olhadela no trio Paisá, Contracampo e Cinética. Melhor do que isso, só vendo os filmes mesmo.

*******
Já que o assunto é blog, recomendo também, ainda que atrasado, o excelente blog do Fernando Meirelles, que está filmando Blindness, baseado no livro “O Ensaio Sobre a Cegueira” do Saramago. Ele já fez um trabalho parecido nas filmagens de “O Jardineiro Fiel” e parece que ele gostou da coisa.

*******
Até quem nunca entra no blog deve estar de saco cheio de ver a foto de “O Idiota” ali do lado. Terminei o livro há um bom tempo e acabei esquecendo de trocar a figura da capa. Nesse meio tempo li “Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Americano” do Scorsese. O livro é baseado numa série que em algumas locadoras tinham em 4 VHS e que assisti há quase 10 anos. Muito bacana para conhecer um pouco os grandes (e nem tão famosos para nós) nomes do cinema americano e por conseqüência algumas influências de Scorsese.

Agora estou lendo “A Insustentável Leveza do Ser”, que estava escondido em uma estante da minha mãe (ela própria nunca leu o livro e nem lembra de tê-lo comprado) e vou começar “A História da Pintura”, livro que tenho há mais ou menos 3 anos e sempre me serviu como consulta rápida, já que ele é bem ilustrativo e serve mesmo como introdução ao assunto. Será mais ou menos uma introdução ao “História da Arte”, que também está esperando ser lido aqui em casa.

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Depois que me roubaram o micro fiquei meio desmotivado para anotar os filmes/séries que via no dia-a-dia. Tinha um backup antigo e isso tirou pra mim um pouco da graça. Agora, pouco mais de 6 mêses depois e já com a vida voltando aos trilhos, recomecei a anotar. Na medida do possível voltarei a comentar tudo por aqui.

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Não vi muita coisa nesse meio tempo que fiquei sem postar, mas dois filmes são dignos de nota. O primeiro é o meta-documentário Santiago(), de João Moreira Salles, que encanta tanto pela proposta de resgatar as memórias do próprio JMS através do seu mordomo como pela busca em tentar descobrir (embora eu ache que ele sempre teve a resposta) o que deu errado no processo de criação do filme. Um modo corajoso e singelo de realizar um mea-culpa e um interessante estudo sobre a maneira de se fazer documentário.

Já o outro não poderia ser diferente. Se Tropa de Elite () não é o melhor, pelo menos foi o filme mais comentado do ano, e uma pena que em grande parte das vezes pelos motivos errados. O trabalho de José Padilha é um petardo, uma bomba que mostra que o cinema de gênero pode sim ser bom e tratar de assuntos importantes ao mesmo tempo. A discussão que gerou a respeito de ser Pró ou Contra Bope, ser facista ou não, só mostra a sua grandeza, pois na verdade, mostra todos os lados e faz com que o próprio espectador tome partido baseado no que cada um acredita. Tropa de Elite é assustador por mostra o nosso país que todos sabemos (mas não admitimos) que existe, um lugar onde ninguém é santo e quase sempre somos corrompidos pelo sistema.

OBS: Juntando os dois parágrafos acima, registro também que vi o excepcional “Notícias de uma Guerra Particular”, vendido nos camelôs por aí como Tropa de Elite II, onde Rodrigo Pimentel, co-roteirista do filme de Padilha e na época ainda comandante do BOPE, admite que a guerra do Rio, do jeito que é levada, não terá fim tão cedo.


Escrito por Marlonn às 15h46
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- Guarapuavano, 26 anos.
- Moro há 11 anos em Curitiba
- Virginiano, corinthiano não praticante.
marlonn@uol.com.br
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1) Inland Empire
2) Maria
3) Tropa de Elite
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5) Perfume
6) Maria Antonieta
7) Rocky Balboa
8) Planeta Terror
9) Exilados
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